Padrões: os Alicerces do BPM
Na sua mais pura essência, o conceito de BPM exige a existência de técnicas,
metodologias e ferramentas que facilitem o atendimento do ciclo completo da
Gestão de Processos. Este ciclo é composto, em alto nível, pelas etapas de
modelagem, redesenho, implementação, monitoramento e otimização de processos.
Atender este ciclo de forma integrada e sem lacunas é, por si só, um
excepcional desafio. Excepcional porque envolve o trabalho integrado de diversos
perfis profissionais, tanto de negócios e processos quanto de TI. Envolve também,
por conseqüência, o uso de diversas técnicas e, eventualmente, diversas ferramentas.
Mas, até bem pouco tempo atrás, poderia dizer-se que atender este desafio era
mais que uma tarefa excepcional: era uma tarefa desumana. Desumana sim, pois os
profissionais e as técnicas envolvidos não tinham uma língua comum que pudessem
usar. Sem esta língua comum, a passagem entre as etapas do ciclo da Gestão de
Processos exige imensos esforços de interpretação, conversão e recriação de
informação. Assim, além do grande retrabalho, quase sempre se perde informação
nestas transições. Não é de se admirar que tantas vezes se diga que TI e
negócios não conseguem falar a mesma língua.
Assim, é absolutamente impossível pensar em BPM sem pensar em padrões.
São os padrões que tornam possível a existência de um entendimento compartilhado
sobre processos e, em última análise, permitem que negócios e TI tenham uma
linguagem comum para desenvolver soluções para gerenciá-los. Em resumo, quando
falamos em BPM, os padrões não são um aspecto secundário ou menor, mas sim um
aspecto essencial, fundamental e imprescindível.
A construção destes padrões não é, evidentemente, tarefa simples. Durante
algum tempo, houve divergências entre os grupos padronizadores, às vezes até
com padrões concorrentes. Mas já há algum tempo tornou-se claro que o BPM se
assentaria sobre dois padrões complementares: o BPMN (Business Process
Modeling Notation), para a modelagem de processos, e o BPEL (Business Process
Execution Language), para a execução dos processos.
Estes dois padrões, além de serem o resultado de um enorme esforço
coletivo de empresas e pesquisadores da área de BPM, o que lhes trouxe ao
mesmo tempo simplicidade e sofisticação, ainda possuem dois aspectos
importantíssimos. Primeiramente, eles possuem um mapeamento formal entre si;
ou seja, é possível transformar automaticamente um modelo em outro, assim
como se transforma um diagrama Entidade-Relacionamento em SQL. Segundo, já
foram amplamente adotados pelo mercado, sendo que as principais ferramentas
de BPM já oferecem suporte a eles hoje. (Aliás, uma ferramenta nem poderia
se denominar como BPM se não oferecesse suporte a eles.)