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(*) Cassio
Pantaleoni
22/04/2003
Leio na Zero Hora de Domingo sobre a
premiação, recebida pela iProcess, pela solução
de workflow desenvolvida para o Sonae e,
imediatamente, retomo uma reflexão antiga:
quanto pode a tecnologia?
É irreparável o erro que muitas empresas
cometem ao não utilizarem todo o potencial de um
software. Empresas como a Oracle, por exemplo,
investem significativas fatias de seu
faturamento em pesquisa e desenvolvimento,
buscando, sobretudo, incorporar recursos que
possibilitem o aproveitamento de investimentos
predecessores, maximizando o retorno para seus
clientes. Mais do que isso, há todo um processo
de incorporar em um componente de software
certas características que o mercado aponta como
adjacentes àquele componente. Mas será que
algumas adjacências fazem sentido, do modo que
prega o mercado?
Vejamos o caso do Workflow. Não é natural que
o modelo de persistência de um workflow, ou
seja, os dados necessários ao fluxo de trabalho
organizacional, seja o mesmo que os demais
sistemas da empresa? Em outras palavras: se
tenho um banco de dados que permite a
persistência dos dados do sistema de RH, do
sistema contábil (onde se encontram os centros
de custo, por exemplo), do sistema de engenharia
etc, não seria prudente utilizar esse mesmo
banco de dados como referencial do meu sistema
de workflow? É claro que sim! E isso é, em minha
opinião, condição imperativa. Nem sempre
adjacências são meras adjacências, pelo
contrário, freqüentemente possuem a mesma raiz.
Cabe efetuar uma reflexão profunda dos
poderes da tecnologia. Verifico, a cada nova
visita em clientes e parceiros de negócio, que
há muito mais na tecnologia já adquirida pelas
empresas do que é de fato utilizado. E,
provavelmente, isso se dá como resultado de duas
possibilidades básicas: (a) ou o cliente não
sabe o que tem, ou (b) não há qualificação no
mercado para utilizar a tecnologia.
Nesse sentido, a iProcess merece aplausos.
Não só conseguiu dar ao seu cliente condições de
tirar proveito prático de recursos tecnológicos
já disponíveis na empresa, como ainda exerceu
com muita maestria o papel de materialização de
um conceito consistente do Workflow.
Caberia, talvez, aqui ressaltar a motivação
da iProcess em acreditar que há um tremendo
potencial no uso da tecnologia de workflow. É
uma prova cabal de que a tecnologia da
informação é um imperativo para o lean
management. A TI pode muito mais do que se
supõe, mas é preciso saber usá-la de forma
inteligente e dirigida.
Parabéns a iProcess por demonstrar com
perfeição como é possível utilizar de modo
prático um conceito tecnológico tão
importante.
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(*) Cássio Pantaleoni é
Gerente de Vendas de Outsourcing da Oracle do
Brasil e escritor, autor de dois livros: Os
Despertos e Ninguém disse que era
assim.
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